terça-feira, 24 de agosto de 2010

Visões de Uma Cega Alma

Escuto as tábuas das paredes
Ao esmorecer da luminosidade
Rangendo com o vento
Que estremece minha casa
Porém não tenho medo
Nem das sombras rastejantes
Nem dos ratos, nem dos gigantes
Que habitam minha mente

Meu quarto está escuro
Não vejo quase nada
Somente vejo silhuetas
De certas sombras macabras
E nunca saí de casa
Nunca vi o que há lá fora
Porque minha casa não tem portas
Nem janelas, nenhuma entrada

Porém não tenho medo
Sem desejos fabulados
Às dores, resisto sempre
Em eterna madrugada
Querendo muito, algumas vezes
Um abraço de verdade
E, no entanto, a algo me rendo
À vontade de sonhar


          Essa poesia foi escrita por mim há cerca de 5 anos e é a primeira que exponho publicamente, embora parte dela tenha sido empregada no meu livro Mundo Parelelo, mesmo que com outro significado.
           Acho interessante que às vezes a causa da inspiração que se teve para uma determinada obra é esquecida, como acontece aqui. Quero dizer... Eu não lembro do que me emocionou a ponto de escrevê-la. No entanto, o sentido simbólico de qualquer poesia fica de certa forma inalterado. Mas, além disso, cada pessoa pode ler e chagar a inúmeros outros significados diferentes dos que o autor originalmente quis passar. E isso é bom que aconteça; essa é a liberdade das artes de modo geral.

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