segunda-feira, 18 de julho de 2011

Cine Delphos - Evento 3

terça-feira, 12 de julho de 2011

O bebê e o Quero-Quero

          Quando olhei pela janela hoje de manhã, um quero-quero gritava a todos pulmões em algum ponto da praça por sobre a grama. Uma mulher apontava para ele, mostrando-lhe a seu bebê, que era conduzido por ela em um carrinho. Olhei toda a beleza do local como se aquela fosse uma imagem única. E o grito daquele pássaro me lembrou dos pampas lá de fora. Naquele momento, pensei no bebê, que deveria ter uns dois anos, não mais do que isso. O que será que ele viu?
           Quando você olha para a grama, sabe o que é grama, já viu uma bem de pertinho, com suas folhas de linhas paralelas, com um lado liso e outro rugoso. Quando você olha para as pequenas árvores dali, você mais ou menos já viu árvores como aquelas, já chegou pertinho de cada uma delas para saber o que as faz diferentes umas das outras. Quando você vê um quero-quero, sabe que é um quero-quero, e não outro pássaro. Você já estudou biologia na escola, e assim por diante.
          Mas, o que sabe um bebê, se não tem toda essa experiência de vida que temos? Quem sabe ele vê a grama como um chão verde, a as árvores como um verde que sai do chão para cima... E o quero-quero então... Ele nunca viu um pássaro de perto. De repente, escuta um grito estranho, que ele não faz a mínima ideia do que seja. Só não está com medo porque sua mãe está por perto e ela não está com medo, então ele confia. Daí ele vê sua mãe se aproximar dele e apontar seu dedo para o meio da grama verde. Ela diz alguma coisa, porém, ele ainda não aprendeu a falar direito, mas entende um pouquinho, pelo menos. O que tem no meio do verde? Onde? Onde? É grande? É pequeno?

          Discussão: Isso nos leva a pensar o quanto o "ver" não depende unicamente da visão, mas bastante também de nossa memória, experiências de vida. No meu caso, aquela cena me lembrou dos pampas gaúchos, por exemplo. No entanto, para outra pessoa, poderia ter despertado outras memórias. Ou seja, eu vi com os meus olhos, mas também com toda a minha mente. Da mesma forma, cada um vê o seu mundo particular, com seus olhos e sua mente. Assim, para alguém com tão poucas experiências de vida como um bebê, a imagem que ele enxerga é muito pouco processada, em relação ao que acontece em um adulto. Tudo é tão novo, tão estranho, que, na maioria dos casos, por exemplo, ele não é capaz de diferenciar um gato de um cachorro, pois, digamos, os dois são peludos e têm quatro patas. Imagine, então, o que é para ele um quero-quero...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

E se todos fossem sinseros uns com os outros?

          De repente, uma bomba explode no centro de nossa cidade... Mas não mata ninguém, somente ecoa pelos cantos mais longínquos de onde conhecemos. Então, começamos a ver nossos reflexos nos outros, como se eles fossem de metal brilhante, e vemos nossas mais belas qualidades, outrossim nossos menos aceitáveis defeitos. O que acontece depois?
          Talvez, em um primeiro momento, tentaríamos esconder nossos defeitos e ressaltar nossas qualidades, mas logo descobriríamos que isso não adianta, que não há como esconder tantos detalhes por tanto tempo, tão logo você se distrai e eles vêm à tona. O que faríamos? Em um segundo momento, tentaríamos nos esconder de todos, pois cada defeito que vemos da gente dói, magoa muito, cada vez mais. Fecharíamo-nos em uma concha, se possível.
          Contudo, em seguida, sentiríamos falta de tudo de bom que há na vida: as amizades, as aventuras, a companhia de pessoas queridas. Enfim, ousaríamos sair para fora e buscar o contato com os outros. E estes continuarão nos refletindo todos os nossos defeitos a todo instante, mas, fazer o quê? Fazem parte de nós. Assim, nos acostumaremos com eles, bem como nos acostumaremos com nossas qualidades, e não precisaremos nos gabar delas. Seria o fim do exibicionismo. Enfim, nos aceitaríamos por completo e, então, poderíamos aceitar o outro também como um ser cheio de defeitos e qualidades. As pessoas e as relações seriam menos baseadas na aparência, pois cada um não poderia tentar ser o que não é.
          No entanto, essa hipótese é fantástica demais para se tornar realidade, pois o sincero demais, em nossa sociedade, é sempre visto como tolo; e o sincero de menos, como esperto. Enfim, não preciso refletir o mundo real, pois todos já o conhecem, é só olhar ao redor, é só olhar para si.

domingo, 10 de julho de 2011

Bomba Relógio


          Tem um tempinho aí? Esse drinque precisa de tempo. Não porque o preparo seja difícil, pois, pelo contrário, é muito simples de fazer. No entanto, depois de pronto, você precisará guardá-lo por um tempo, e é isso o que o pirata da foto está fazendo nesse momento, hehehe.

PS.: Este drinque é de minha autoria também. Eu inventei ele agora mesmo :) É que de vez em quando me vem umas ideias malucas... Mas deixo aqui a receita:

INGREDIENTES:
-1 laranja de suco
-50ml de vodca Absolut
-50ml de rum ouro
-20ml de licor de cassis

PREPARO:
Corte a laranja em meias-luas - retire a casca e a parte branca - guardando os pedaços em um recipiente, de forma que capte o suco que por ventura saiam deles. Deixe somente uma rodela inteira, de diâmetro não muito grande, e coloque-o ao fundo do copo, como se fosse um "piso". Então, você adiciona 20ml de licor de cassis. Depois, vá encaixando cubos de gelo e as meias-luas que restaram de forma que fiquem aqueles no centro e estas nas laterais, até que tudo cubra cerca de 80% da altura do copo. Enfim, despeje 50ml de rum e 50ml de vodca, e despeje o pouco de suco que restou no recipiente por sobre a bebida, para aumentar o gostinho da laranja. Agora é só deixar o drinque resguardado por o máximo de tempo que você puder, embora não possa deixá-lo ficar aguado demais... É verdade, fica muito melhor quando você deixa ele esperando. Eu diria que um tempo bom seria uns 20min, aí já dá pra tomar. Para mais tempo do que isso, vai depender do frio que estiver fazendo. No inverno que está agora (~15 graus C), eu consegui esperar quase uma hora. E ficou delicioso! O licor de cassis fica mais ao fundo da bebida, de forma que você sente que vai ficando mais docinho. E mais! Depois de tudo, você pode comer os pedaços de laranja que restam, hehehe. Será a melhor laranja que você já comeu! =P Bom proveito!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Protesto Contra os Estacionamentos de Porto Alegre

          Hoje precisei passar no centro da cidade para que uma pessoa assinasse um documento, o qual eu precisava primeiro imprimir em algum xeróx da região. Mesmo assim, era coisa rápida. Subi a Doutor Flores e virei à direita na Riachuelo. Já na primeira quadra avistei um estacionamento, à esquerda, da Moving, aquele amarelo. Estava com o tempo apertado, por isso, não poderia me dar ao luxo de ficar pesquisando preços, ou procurando vagas na rua, até porque é muito raro encontrar uma vaga na rua, nem tem muito delas... Enfim, acabei entrando ali mesmo. Dizia na placa:

1/2 hora = 9 reais
1/2 hora adicional = 4 reais

          O detalhe é que o estacionamento era um terreno coberto com brita, e eu ainda tive que deixar a chave com eles, já que estava mais do que cheio. Mas eu pensei: eu vou me ferrar igual em qualquer estacionamento, pois o preço deles é muito parecido. Então, não tinha outra opção, pelo menos não teria uma mais rápida, pois eu estava em cima da hora. Aí pensei: "Bom, pelo menos, se eu for rápido, pago só 9 reais...". Sonho meu! Passei dez minutos de meia hora e tive que pagar 13 reais. 13 REAIS! E para deixar o carro por 40 minutos. Você tem ideia de quanto um estacionamento desses ganha por dia?

terça-feira, 5 de julho de 2011

O Melhor Capucino, na Sua Casa!


          Este inverno está muito, muito frio mesmo! Para se aquecer, todos tem a sua receitinha: bolsa de água quente, cobertor no colo, manta, lareira... E agora vou dar a minha dica: um capucino feito em casa!

          Pegue sua xícara preferida, adicione o leite (eu prefiro e sugiro o leite em pó ninho, que tem um sabor diferenciado), depois acrescente um pedaço de chocolate ao leite como o da foto acima e leve ao micro-ondas. Aqueça bem. Depois, acrescente cerca de um dedo de café passado e misture bem tudo para que o chocolate se dissolva. Pronto! Dessa vez não tem medida exata, cada um vai descobrir a sua - um pouco mais de café, ou mais chocolate, ou mais leite em pó... Quem quiser, poderia acrescentar até uma colher de sopa de licor de chocolate, ou de amarula (ainda não testei essa possibilidade).

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Consulta de um Estranho

Hoje, por trás da mesa
(Já passara bem do meio-dia)
Enquanto todos cantavam suas proezas
Minha sombra, apática, desfalecia
E para todas as ilustres presenças
Minha face tornava-se fria
Mas no fundo daquele peito, podes ter certeza:
Meu coração estremecia
“Garoto, por onde caminhas?
Não olhes para baixo, posto que atormenta”

Ah! São tantos os problemas!
Contando-te, talvez sorrias
No entanto, por favor, não te enganes
Minh’alma é triste e sombria
Queria mostrar-te meu coração
Arrancá-lo do peito. Como queria!
Destruído... Arruinado...
Enquanto todos cresciam em felicidade
Riam, brincavam pelo pátio
Timidamente, eu me escondia

Agora, observo da varanda...
Pela praça, todos se divertem
Final de semana, o sol os encanta:
Crianças, ciclistas, pedestres
Todos brincam, todos crescem
E a vida passa sem pensar
Eu vivo em sonhos... nada mais
Queria dormir para sempre
Viver das mais belas utopias
Onde, intensamente, pudesse amar


Obs.: Essa poesia enviei para participar de um concurso literário no fim de 2010. Ela marca bem o meu estilo poético, pela forma de escrever, pelas técnicas empregadas etc. Espero que gostem. Abraço!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Problema do Bafômetro

          Já que tenho postado bastante sobre meus drinques, nenhuma discussão é mais próxima do que sobre a "lei seca" que impera hoje no Brasil: Lei 11.705, que, em palavras simples, considera crime dirigir sob influência de qualquer concentração de álcool no sangue. Vou argumentar de forma literária...

          Digamos que eu esteja fora de casa e alguém me dá um bombom de presente. Olho para ele "humm! Que delícia! Vou comer." Aí eu como, num boa, e percebo logo que ele tem recheio. "Humm! Que delícia! De que é o recheio?" E a outra pessoa me diz: "LICOR DE CEREJA". Puuuuuuuuuutz!! E agora? Como que eu volto pra casa agora? Você dirige pra mim?

          Em outra situação, você é parado numa blitz. "Bahh! Que merda! Detesto blitz!" Aí o policial chega, mostra para você um bafômetro e diz: "Assopre aqui." Aí você lembra que há oito horas, em casa, você estava com o maior calor, pois é verão e tem um sol desgraçado, e você resolveu tomar uma latinha de cerveja bem geladinha para refrescar. Bom, fazem oito horas, você está se sentindo normalíssimo até, mas, E SE AQUELA CERVEJINHA DE OITO HORAS ATRÁS AINDA NÃO FOI METABOLIZADA COMPLETAMENTE? Aí você pensa, pensa... E o policial ali, te botando pressão... Se assoprar, pode até ir preso, se não soprar, paga uma multa altíssima, mas não é preso. Enfim, você não sopra. E se ferra igual. Será que você estava são? Será que não estava? Nunca saberia... Você não tem um bafômetro em casa para saber se já pode ou não pegar o carro. E você precisa do carro.

          Enfim, meus amigos, a minha situação agora é quase isso nesse momento. Bebi dois copos de fernet-cola (um deles é o da última postagem) e agora, passando-se cerca de quatro horas, quero sair com meus amigos e não sei se ainda tenho álcool no sangue... Será que vou de táxi e pago uma nota ou arrisco ir com o meu carro mesmo?

(Silêncio) Penso, penso...

E vocês, concordam com a severidade dessa lei?

Fernet-Cola

Fernet-cola fernet com coca-cola
Fernet-Cola, com Fernet 1882.
           O fernet-cola é um trago bastante tomado na Argentina e no Uruguay. A primeira vez que tive contato com ele foi por volta de 2005, na Ferrugem, uma praia catarinense que fica cheia de argentinos no verão. Eu e meus amigos fizemos amizade com umas meninas argentinas; apresentamo-lhes a caipirinha brasileira, e elas, o fernet-cola. E eu vou confessar para vocês agora: achei a coisa mais horrível do mundo. Como que uma bebida típica e tão largamente apreciada pelos argentinos poderia ser tão ruim assim? Eu não podia acreditar! Era extremamente amarga...
          Algum tempo depois, em fevereiro deste ano (2011), já estudando sobre bebidas, fui a Buenos Aires para estudar espanhol. É claro que não podia perder a oportunidade de experimentar um autêntico fernet-cola argentino, como se fosse eu mesmo um "porteño". Em uma festa, cheguei ao balcão e pedi "Un fernet-cola, por favor". E aí fiquei observando o barman prepará-lo na minha frente. É muito simples! Mas, antes de contar como ele fez, quero dizer que naquele dia acabei mudando de ideia em relação ao fernet-cola... Estava muito saboroso. Nada a ver com aquele que tomei na Ferrugem! Esse, que o barman de lá preparou, estava ótimo! E agora eu sei fazer com as mesmas medidas que ele usou...
           Como ele preparou?
          Pegue um copo grande como o da foto. Adicione umas pedras de gelo no fundo e derrame cerca de uma dose (50ml) de fernet por cima delas (o barman de lá realmente não usou medidor, foi no olho mesmo). Depois, complete o copo com Coca-Cola (Obs.: Já tentei fazer com Pepsi e não gostei. O barman usou Coca-Cola mesmo.) 
          Antes de voltar de Buenos Aires, comprei duas garrafas de fernet (Uma delas é a da foto) em uma loja da região. Porém, se você quiser comprar uma aqui em Porto Alegre, acho que você encontra nos hipermercados Bourbon. Outro detalhe é que você não precisa colocar o gelo. Eu não botei, pois está muito frio hoje, e a Coca-Cola já estava bem gelada. Além disso, o barman de lá colocou dois canudinhos na bebida. Eu sempre procurei fazer isso também, mas hoje resolvi fazer diferente. Em bar se põe canudinho, pois muita gente tem receio de beber no próprio copo. Mas, se você está em casa, e se quiser, não há problema nenhum em deixar de lado essa parte. Pelo contrário... Na Argentina, quando a bebida é feita em casa pelo povo, ninguém usa canudinhos; só em bares mesmo.
          Agora, um mistério continua... O que tinha de diferente na outra bebida que tomei na Ferrugem? Depois descobri. O segredo está na medida de fernet! Se você colocar muito fernet, o drinque vai ficar muito amargo. Então, você tem que regular com a Coca, que é levemente ácida (azeda). É a mesma coisa que acontece na caipirinha: você faz um balanço entre a bebida alcoólica (amargo) e o suco de limão (azedo). Quantas vezes você não foi num bar e te serviram uma caipirinha "horrorosa"? É a mesma coisa.
          Mas não é só isso, é claro. Outro detalhe é que quem não está acostumado com bebidas amargas, quando bebe uma, acha muito mais amargo e ruim do que a bebida merece. E o fernet puro é tão amargo quanto qualquer bitter - como o Campari ou o Underberg. Tem gente que toma puro tranquilamente, como o meu vô, que degusta Cmpari com Underberg numa boa e nem faz cara feia... Enfim, é uma questão de medida correta, porém, também uma questão de costume.