terça-feira, 12 de julho de 2011

O bebê e o Quero-Quero

          Quando olhei pela janela hoje de manhã, um quero-quero gritava a todos pulmões em algum ponto da praça por sobre a grama. Uma mulher apontava para ele, mostrando-lhe a seu bebê, que era conduzido por ela em um carrinho. Olhei toda a beleza do local como se aquela fosse uma imagem única. E o grito daquele pássaro me lembrou dos pampas lá de fora. Naquele momento, pensei no bebê, que deveria ter uns dois anos, não mais do que isso. O que será que ele viu?
           Quando você olha para a grama, sabe o que é grama, já viu uma bem de pertinho, com suas folhas de linhas paralelas, com um lado liso e outro rugoso. Quando você olha para as pequenas árvores dali, você mais ou menos já viu árvores como aquelas, já chegou pertinho de cada uma delas para saber o que as faz diferentes umas das outras. Quando você vê um quero-quero, sabe que é um quero-quero, e não outro pássaro. Você já estudou biologia na escola, e assim por diante.
          Mas, o que sabe um bebê, se não tem toda essa experiência de vida que temos? Quem sabe ele vê a grama como um chão verde, a as árvores como um verde que sai do chão para cima... E o quero-quero então... Ele nunca viu um pássaro de perto. De repente, escuta um grito estranho, que ele não faz a mínima ideia do que seja. Só não está com medo porque sua mãe está por perto e ela não está com medo, então ele confia. Daí ele vê sua mãe se aproximar dele e apontar seu dedo para o meio da grama verde. Ela diz alguma coisa, porém, ele ainda não aprendeu a falar direito, mas entende um pouquinho, pelo menos. O que tem no meio do verde? Onde? Onde? É grande? É pequeno?

          Discussão: Isso nos leva a pensar o quanto o "ver" não depende unicamente da visão, mas bastante também de nossa memória, experiências de vida. No meu caso, aquela cena me lembrou dos pampas gaúchos, por exemplo. No entanto, para outra pessoa, poderia ter despertado outras memórias. Ou seja, eu vi com os meus olhos, mas também com toda a minha mente. Da mesma forma, cada um vê o seu mundo particular, com seus olhos e sua mente. Assim, para alguém com tão poucas experiências de vida como um bebê, a imagem que ele enxerga é muito pouco processada, em relação ao que acontece em um adulto. Tudo é tão novo, tão estranho, que, na maioria dos casos, por exemplo, ele não é capaz de diferenciar um gato de um cachorro, pois, digamos, os dois são peludos e têm quatro patas. Imagine, então, o que é para ele um quero-quero...

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